Desejo de ser mãe

Muito tempo se passou desde que escrevi este texto em 15 de julho de 2013.

Não penso em adoção, aliás certeza que não quero.  Já não acho as grávidas tão chatas e amo quando as minhas amigas dizem que estão grávidas, pois posso paparicar os filhos delas, sem compromissos e quando minhas costas doem, o que tem acontecido com frequência, devolvo os lindinhos sem peso nenhum na consciência.

 

Desejo de ser mãe

Quando amigas e parentes me pedem pra cuidar de seus filhos, sempre respondo que se eu quisesse filhos os teria tido. Mentira. Cuidei de crianças demais. Quem me conhece sabe disto e também tem conhecimento que o caminho escolhido por mim, protelou o sonho da maternidade. Não ter o cara ideal do lado também ajudou, afinal sou cria do sistema judaico cristão como diria uma amiga.

Enfim, não que o ‘cara ideal’ tenha aparecido, mas tenho ao meu lado uma pessoa legal, que gosta o suficiente de mim para realizar o meu sonho da maternidade, apesar de já ter dois filhos e falar das dificuldades de se criar um filho.

Mas o meu relógio biológico gritou e gritou de tal  forma que por meses a fio tentei engravidar. Todo mês aquele suplício. Um simples atraso de dois dias parecia ser motivos de comemoração. O que não percebia é que estava me matando com isto.

Outro martírio era ver as amigas, colegas e simples conhecidas engravidando, algumas até sem desejar. Olhava para elas e pensava porque elas e eu não?

Meu parceiro sempre respondia que talvez não fosse hora, que estava ansiosa de mais. Que se fosse para ser aconteceria.

Tentei desencanar e parece que havia conseguindo. Um belo dia alguém me pediu um absorvente emprestado e percebi que já estava com atraso de um mês e meio. Fiquei em êxtase, pois agora só restava a confirmação.

Resolvi esperar um pouco mais, a vinda dos meus sogros, pois daria a notícia em primeira mão a eles.  Uma semana depois ao lado de minha cunhada fui e fiz o teste e no dia seguinte resultado em mão, coração a mil e que decepção. Nem precisa dizer, mas lá vai: deu negativo.

Confesso que só não chorei porque dei uma de forte mesmo. Um mês depois, nada de ciclo menstrual, quase três meses de atraso. Fui ao médico, fez novamente o teste de e pediu outros tantos. Inicialmente nada havia de errado comigo, apesar de estar enorme de gorda. Sim engordei horrores, mas não ligava pra isto, mesmo sabendo que um ano atrás um corpo era perto do ‘quase ideal’, sonhado por uma mulher de 40.

Assim, o médico disse que inicialmente estava tudo normal comigo e nem me encaminhou pra especialista, colesterol normal, e blá, blá, blá. Esqueci de dizer era médico do SUS. Talvez não tenha dito que estava com viroses, só pra não pegar mal.

Resolvi por conta própria e poucos recursos financeiros procurar um médico particular. Consultas, exames e muito dinheiro depois a pergunta: a senhora deseja mesmo ter filhos? Comecei a chorar compulsivamente.

Não entrarei em detalhes, mas ele explicou tudinho e disse até que o problema era a causa do meu peso excessivo e daí iniciamos o tratamentos. Hoje, meses depois, o tratamento acabou, engordei mais 15 quilos por conta dos remédios e rios de dinheiro se foram e eu continuo sem ser mãe.

Cogitei a hipótese de adoção. Mas pra isto tem que se ter um amor, que eu talvez ainda não esteja preparada, mesmo com meu parceiro dando todo o apoio.

A única certeza que tenho é que toda vez que uma mulher engravida, sendo ela, muito próxima de mim e recebo a notícia, apenas digo: ‘dá licença vou ali morrer e já volto’.

Sim choro, e percebi que mulheres grávidas são chatas, extremamente chatas. Parece que algumas são mais chatas que as outras. Sei que parece irracional, mas quem, assim como eu ainda não realizou o desejo de ser mãe e ainda sonha, pode entender o que sinto.

Não tenho inveja, até porque isto não faz parte do meu vocabulário, apenas aquela sensação de porque elas e não eu….

15.07.2013

 

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