Um amor próximo do fim

O dicionário Aurélio define Apolo como: [Do mit. Apolo, deus greco-romano, o mais belo dos deuses.]; substantivo masculino. Homem belo e forte. [Cf. apolíneo.]

Porque comecei o texto descrevendo o deus grego? Porque simplesmente vou falar do meu carro um Apolo, 1992, que para mim não é um deus, mas quando o comprei era belo e forte, e que agora está com a pintura opaca, mas com toda a força, após uma reforma pelo qual passou, e que custou horrores.

Reforma esta que tentei pelo Lata Velha, quadro do programa Caldeirão do Huck, exibido nos sábados à tarde, pela TV Anhanguera (Globo) e nunca fui atendida, e é aonde quero chegar. Para tentar ganhar a tal reforma escrevi a carta. Meses se passaram não fui atendida e acabei eu mesma pagando pela reforma, sendo que agora falta pouca coisa.

Daí pensei: já que não fui atendida, vou compartilhar com outras pessoas o amor pelo meu carro e algumas das aventuras que tive com ele. No entanto, Luciano Huck se você tiver acesso a este texto, ainda estou aberta à participar do quadro Lata Velha, pois falta pintura, pneus, parte interna……….

Se tem uma coisa que meu ex-companheiro, como qual morei quase dois anos (agosto de 2001 à janeiro de 2003), fez de bom foi insistir para que eu comprasse meu carro. O cara me encheu tanto o saco, que acabei por comprá-lo em outubro de 2002. Foi amor a primeira, segunda, terceira vista, ou até mesmo outras, se existirem. Foram também muitas prestações pagas. Assim que vi o carro me apaixonei – um Apolo dourado.

Pena que logo de cara já paguei o primeiro mico. Não sabia como dar ré e tive que chamar uns caras por perto para ajudar (homem geralmente entende de carro né? Pura balela, nem todos entendem). O homem em questão, o qual  eu pedi ajuda não entendia nada de ré.

Desde a aquisição de meu Apolo, já torrei horrores com ele, e olha que dava até para comprar outro carro. Mas além do nome sujo (herança do tal ex), existe um amor enorme que nos liga, fruto de muitas aventuras nestes últimos anos.

Muitas aventuras mesmo, como aquela em que passei direto pela rotatória, sendo que o motivo é porque estava com muita raiva e não consegui frear a tempo; ou quando resolvi “namorar” atrás do Parque Cesamar e o carro atolou, atrapalhando e ainda tivemos que pedir ajuda para as pessoas mais próximas: uns recos. O duro, hoje, é encontrar os recos que ajudaram naquele dia e ainda ter que agüentar eles tirarem sarro da situação.

E aquela vez que dei carona para uns ingleses eles gritavam: ‘help’, ‘crasy’, e eu euzinha não entendendo nada, só curtindo a velocidade do meu Apolo. Ao saírem do carro, os ingleses, disseram que jamais entrariam nele novamente.

Mas, jamais esqueço quando a roda do carro saiu quicando no meio da avenida JK. Neste dia pensei: me ferrei mesmo!!! Tinha criança no carro.

Tem aquela vez que atrasei três prestações por motivos de saúde (do ex-lógico, porque eu quase nunca adoeço), e quase fiquei sem o meu Apolo. Pedi ajuda a muitas pessoas (até agiota corri atrás), inclusive o meu irmão, que se recusou a vender umas vaquinhas, alegando que a mulher dele não queria arriscar a não receber.

No entanto, um amigo me ajudou e sempre vai ficar na minha lembrança: Jaime Lourenço. E quando separei do meu ex-companheiro, tive que arrumar empréstimo para não ficar sem o meu Apolo.

Enfim, foram e são muitas venturas desventuras que me levam a não desfazer do meu Apolo, mesmo que as pessoas insistam. Sei que chegará a hora que terei que me desfazer dele, pois está velho e financeiramente, quase, não dou mais conta de arrumá-lo.

Mas não quero me desfazer dele, pois representa uma parte de minha vida, que temo e não quero perder. Foi meu primeiro bem, realmente meu. O Apolo faz parte das minhas transições como a última que deixo para a Manu contar qualquer hora destas.

Texto publicado no Jornal do Tocantins em 26/11/2006

PS – Troquei de carro no final de 2009 e o Apolo agora pertence a meu pai. Não teve jeito, não consegui me separar dele. As histórias contadas acima são algumas das muitas vividas com ele.

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5 pensamentos sobre “Um amor próximo do fim

  1. TUDO POR CAUSA DO EX… ESSE HOMENS… ESSA HISTORIA TAMBÉM JÁ ACONTECEU COMIGO… MAS QUE BOM QEU VC CONSEGUI FICAR COM O SEU APOLLO AMIGA… EU ME LIVREI DE TUDO… DE TUDO QUE PODIA ME LEMBRAR O TAL EX QUE VC CONHECEU BEM..

    MAS JÁ ESTOU CASADA DE NOVO KKKK. AFINAL QUEM OLHA PARA TRAS É RETROVISOR

    BEIJOS

    SAUDADES

    CHRIS

  2. Eu conheço mais histórias deste carro .. .e não falaria nem sob tortura !!!!
    Eu entendo o apego pelo seu carro .. nem tanto pelo bem, mas pela conquista! Sei o quanto é bom conquistas alguma coisa com o “suor” do nosso trabalho. Apenas quem conquistou desta maneira saber o valor que as coisa têm.
    Faça muitas fotos dele!!

  3. Amiga Inez, É interessante a história sobre seu carro. Eu também já tive vários carros
    que deixaram saudades. Normalmente, a fábrica escolhe um nome associado a alguma
    figura mitológica ou figuras que demonstrem força ou agilidade.
    Só mesmo um deus grego para aguentar o tranco com uma rotatória e sair ileso.

    Abraços.

  4. Estou admirado com está história tão fantástica! Achei que apenas eu tinha algo assim com meu Pérola Negra(carro), por isso também não quero me desfazer tão cedo dele. Te conheço a pouco tempo e eu era um dos que não entendia porque você mantinha o Apolo, mas agora tudo faz sentido e, pode acreditar, sei muito bem o que sentes pelo Apolo, pois o Pérola é muito importante para mim sentimentalmente. Um chero Dra!

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